19 de fev de 2018

Giordano: Aposto no PCdoB para trazer ao Rio um programa transformador

Crédito das fotos: Ascom
O pré-candidato do PCdoB ao Governo do Rio de Janeiro, Leonardo Giordano concedeu entrevista ao jornal local Toda Palavra, publicada na última quinta-feira (15). Mesmo antes do decreto da intervenção federal no Rio, Giordano comentou sobre a falência do estado e apontou que um dos principais planos de seu governo é recuperar a autoridade e devolver a esperança à sociedade fluminense. Para isso, o pré-candidato conta com a experiência do Partido Comunista do Brasil. “Aposto no PCdoB para oferecer à população do Rio um programa transformador”.

Na visão de Giordano, um dos candidatos mais jovens do país, com 38 anos recém completados, a política tradicional não resolveu os problemas antigos do estado nesses últimos anos, mas segundo ele, a sua pré-candidatura pode trazer um fio de esperança a população. “O que temos é a falência geral de um modelo político que leva junto uma geração inteira de gente que governou esse estado”.

Giordano anunciou que está montando um programa detalhado com eixos gerais que está sendo discutido com especialistas no assunto, e como sua pré-candidatura é recente ainda não está pronto. Mas, na entrevista, ele apontou sua visão sobre temas fundamentais.

“Em primeiro lugar temos que denunciar o ataque aos direitos e o que estão fazendo com o estado do Rio, é privatização da Cedae, ameaça de fechamento da UERJ, é não pagar os servidores públicos, sacrificando os serviços prestados à população. Queremos denunciar tudo isso e revogar medidas aplicadas neste período que prejudica o povo ao longo prazo”.

Desenvolvimento, emprego e segurança pública

“É fundamental colocar no centro do debate a questão do desenvolvimento econômico, porque se o Brasil está em crise, no estado do Rio é muito pior. A crise do petróleo, por exemplo, afeta o país inteiro, mas é no Rio de Janeiro que temos o fechamento de estaleiros, a maior quantidade de desempregados. Outra questão é a segurança pública”.

Na opinião do pré-candidato, o papel das eleições no Rio de Janeiro para o esforço da esquerda na retomada do governo federal é fundamental. Em sua visão, vivemos um momento no Brasil em que é uma questão entre patriotas e entreguistas. “O Brasil está sendo vendido a preço de banana e até dado, e isso tem que ser enfrentado. Os palanques estaduais são parte do xadrez onde se está jogando o futuro do Brasil e a gente precisa ter aqui, no Estado do Rio, candidaturas que possam verbalizar isso com integridade e com firmeza”.

Governo Temer é incapaz de garantir a segurança do povo

Em declaração após o decreto de intervenção federal no governo do Rio de Janeiro, o pré-candidato comunista avaliou que a ação é desdobramento de movimentos muito mais abrangentes que relacionam-se intimamente com o golpe e os interesses estadunidenses. “Em paralelo o governo golpista sinaliza movimentação militar na fronteira e se engaja na declarada “crise humanitária” da Venezuela. São movimentos articulados, não são coincidência ou acaso. A ameaça democrática é real e não pode ser subestimada. Há dedicado e diário acompanhamento dos EUA sobre tudo que transcorre durante o golpe aqui. A intervenção militar no Rio articula-se com a geopolítica, sim”, disse.

Para Leonardo Giordano, a ação é mero espetáculo político. “Não existe planejamento, coleta de dados ou transparência. A guerra contra os pobres disfarçada de combate às drogas sempre foi etapa da luta de classes. A juventude negra está na mira das armas, mais uma vez”.

“Sem inteligência e método não é possível atacar o tráfico de armas, nem desbaratar as quadrilhas desde seus altos escalões de colarinho branco. Embora insuflada pela grande mídia a sensação de insegurança é um dado da realidade objetiva para a vastíssima maioria dos cidadãos”. Para isso, aponta Giordano, é preciso reconhecer que a situação do Rio é grave, mas não será uma ação militar que irá “salvar” o povo da violência.

Perfil do pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro

Leonardo Giordano é vereador de Niterói, município onde vive desde 1994. Iniciou a sua vida política aos 15 anos pelo movimento estudantil. Em 2007, assumiu o primeiro mandato de vereador como suplente. Foi eleito em 2012 e reeleito em 2016 para a mesma função. Atualmente é recordista em leis aprovadas (52), projetos de lei e audiências públicas realizadas entre os mandatários locais.

Do Portal PCdoB

Exército prepara ordens de busca e apreensão em bairros inteiros do Rio

O general Braga Netto, interventor do Rio de Janeiro.
foto SERGIO LIMAAFP
A medida já foi adotada em ao menos outras três ocasiões e acabou proibida pela Justiça fluminense

por AFONSO BENITES no El País

A intervenção do governo Michel Temer (PMDB) na segurança pública do Rio de Janeiro mal começou e já enfrenta seus primeiros entraves. Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou que a gestão federal prepara uma série de mandados coletivos de busca e apreensão para bairros inteiros do Rio. Medida essa que já foi adotada em ao menos outras três ocasiões e acabou proibida pela Justiça fluminense.

Cumprir mandados coletivos é algo incomum. Significa, por exemplo, que policiais (ou militares que estejam sob o comando do interventor) teriam a autorização para vasculhar qualquer casa da favela da Rocinha, uma comunidade com quase 70.000 habitantes. As varreduras ocorreriam mesmo se não houvesse a suspeita do cometimento de crimes pelos moradores ou frequentadores dessas residências. Para a ex-presidenta Dilma Rousseff,  "a iniciativa do governo golpista de promover mandados coletivos de busca, apreensão e captura é uma das mais graves violações aos direitos civis que o Brasil enfrenta desde o fim da ditadura". Dilma comentou a questão no Twitter.

No ano passado, quando a polícia foi autorizada a investigar todas as casas da comunidade do Jacarezinho, o Judiciário suspendeu a decisão alegando que o abandono das regras e princípios jurídicos não é permitido nem em tempos de paz contra os cidadãos, nem em tempo de guerra contra os inimigos. Na ocasião, o mandado tinha como objetivo investigar a morte de um policial civil e a consequente reação que resultou no assassinato de sete moradores do local.

A possível batalha jurídica que Temer enfrentará já está no radar de vários especialistas do assunto. O procurador da República Vladimir Aras, por exemplo, afirma que esse mandado coletivo seria ilegal. “A intervenção federal não suspende garantias individuais. Entre essas garantias está o direito à inviolabilidade domiciliar. Se houvesse sido declarado o estado de sítio, seria possível fazer buscas coletivas, inclusive sem mandado judicial”, alertou em uma rede social. "Os mandados coletivos são um chute na porta do cidadão, de qualquer cidadão", reclamou o deputado Wadih Dahmous (PT-RJ), ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio.

Opositores do Governo reclamam que a proposta não foi devidamente embasada. “Essa decisão da intervenção não teve qualquer planejamento. Foi uma decisão atabalhoada. Foi um tiro no escuro. Não foi feito nenhum balanço das ações anteriores”, reclamou o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE). Nos últimos dois anos o Rio de Janeiro foi palco de 18 operações de Garantia da Lei e da Ordem, conhecidas como GLO. Nelas, militares das Forças Armadas e da Força Nacional eram deslocados para fazer o policiamento de diversas regiões do Estado. Os resultados delas ainda são desconhecidos do público em geral.

Endurecimento de lei penal
Enquanto o Governo se prepara para responder a uma enxurrada de processos contrários à sua intervenção no Rio, no Legislativo os congressistas tentarão aprovar medidas que endureçam as leis penais. Representantes da bancada da segurança pública, conhecida como bancada da bala, já esperam que projetos como o que a prevê a redução da maioridade penal, o que diminui os direitos dos detentos e o que altera o estatuto do desarmamento voltem à pauta do Parlamento.

“Se não endurecer a legislação, o marginal vai ver que o crime compensa. A intervenção no Rio é necessária, mas ainda assim, iremos enxugar o chão com a torneira aberta. As causas dessa criminalidade são as leis brandas e a sensação de impunidade”, afirmou o deputado Capitão Augusto Rosa (PR-SP), presidente da Comissão de Segurança.

Na mesma linha seguiu o deputado Major Olímpio Gomes (SD-SP). “Voto a favor desse decreto de intervenção, mas se você não criar um temor do criminoso de ser apenado, não vai mexer com nada”.

Ao menos três fatores devem influenciar para que pauta de segurança seja fortalecida no Congresso: ausência de projetos estruturantes na área econômica (a reforma da Previdência não pode ser votada enquanto a intervenção estiver em vigência), ano eleitoral em que políticos querem capitalizar feitos de olhos nos votos e o clamor popular estimulado pelo anúncio da gestão Temer de que vai pôr um fim na crise de segurança do Rio.

“Essa intervenção é mais um produto de comunicação e marketing do que um projeto sério. Se fosse uma intervenção de fato, teriam estratégia, planejamento. Tudo o que não tem”, criticou o deputado governista Índio da Costa (PSD-RJ). “O Governo encontrou uma saída honrosa para abandonar a reforma da Previdência. Agora, resta saber se ele vai conseguir dar um fim na crise do Rio, o que acho difícil”, ponderou o deputado oposicionista Júlio Delgado (PSB-MG).

Em outra frente, a relatora do decreto na Câmara, Laura Caneiro (MDB-RJ), já tenta estender o prazo em que a União continuará subsidiando as ações de segurança em seu Estado. No relatório que embasou a votação na Câmara, Carneiro sugeriu que no orçamento da União de 2019 constem novos recursos para a área de segurança do Rio e pediu que o Ministério do Desenvolvimento Social desenvolva projetos em todas as cidades do Estado.

17 de fev de 2018

A negociata da Eletrobras (com Ikaro Chaves)


CTB e movimentos sociais em Brasília se preparam para o Dia Nacional de Luta contra a reforma da Previdência

Nesta sexta-feira (16), em Brasília, no auditório do SINPRO-DF, ocorreu a Plenária de Mobilização da CTB e Movimentos Sociais em Defesa da Previdência, com a presença do presidente da CTB nacional, Adilson Araújo. 

O evento, organizado pela direção da CTB-DF, com a participação de movimentos sociais,  entre eles, UJS e Unegro, discutiu estratégias para as atividades de segunda-feira (19), Dia Nacional de Luta Contra a Reforma da Previdência, com atos e paralisações por todo o País. 

Na capital federal as manifestações ocorrerão durante todo o dia, com mobilizações no aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek e na Rodoviária do Plano Piloto, a partir das 8h. Os atos serão finalizados com uma grande concentração de trabalhadores, entidades e movimentos sociais em frente ao Museu da República, às 17h.

"A situação é dramática e precisamos derrotar Temer e sua quadrilha, que junto com os banqueiros querem escravizar nosso povo mais humilde e abandonar a nossa velhice. Só a derrota da votação pode mudar esse jogo", declarou o Secretário de Relações do Trabalho da CTB, Paulo Vinícius (PV), ao convocar todos à luta contra a reforma. 

Para Adilson Araújo, a reforma da Previdência é uma reivindicação do mercado, prontamente atendida pelo governo neoliberal de Temer,  que trabalha para entregar o patrimônio do povo às multinacionais.

"Temos que tomar partido e lutar contra esses desmandos promovidos pelo governo Temer. Estamos diante de um processo de neocolonização do Brasil. Essa agenda ultraliberal coloca o nosso país de cócoras aos interesses do imperialismo norte americano, do grande capital estrangeiro. Essa classe dominante não está disposta a discutir taxação de grandes fortunas. Essa burguesia não tem interesse em preservar o pouco de patrimônio público que se construiu a duras penas. O que eles querem é a liquidação total, é tornar o Brasil um país totalmente subordinado", destacou o dirigente durante a sua fala no evento.

De Brasília,  Ruth de Souza  - Portal CTB

7 frases homofóbicas que as pessoas falam sem perceber

Foram 445 homicídios de LGBTs registrados em 2017, 30% a mais que no ano anterior. O dado é do Grupo Gay da Bahia, que há décadas coleta estatísticas sobre assassinatos de homossexuais e transgêneros no país. O preconceito e a intolerância alimentam essa estatística. Listamos, a seguir, sete frases que são homofóbicas e as pessoas falam sem perceber:

1 — “Eu não sou preconceituoso. Até tenho um amigo gay!”
Começar com “não sou preconceituoso” não anula o preconceito. Dizer que tem um amigo gay é totalmente desnecessário. “É óbvio que todo mundo tem um amigo gay, assim como tem um amigo hétero. Ser gay é tão natural que nem deve ser comentado”, diz Douglas Drumond, militante LGBTI e dono do Chilli Pepper Single Hotel, destinado ao público gay.

2 — “Tudo bem ser lésbica, mas precisa se vestir como homem?”
“Uma mulher heterossexual só pode usar saia também?”, questiona Fabrício Viana, diretor da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Além de ser preconceituosa, a expressão interfere no modo do outro de ser. Quer dizer, além de julgar a sexualidade alheia, está embutido na frase um desejo de controlar o que o outro veste.

3 — “Que desperdício!”
Bem comum de dizer ao ver alguém que acha bonito, mas não é hétero. É preciso ponderar: você diz a mesma coisa para uma pessoa comprometida? Ou para uma pessoa que simplesmente não teve interesse em se relacionar com você? Dizer isso apenas para LGBTs mostra uma carga de julgamento e preconceito.

4 — “Eu não tenho problemas com lésbicas. Inclusive, adoro vê-las se pegando”
Toni Reis, diretor presidente da Aliança Nacional LGBTI e diretor executivo do grupo Dignidade, ressalta que, além de preconceituosa, a expressão é também machista. “Muitos homens acabam tendo essa fantasia, que é fruto da visão do corpo feminino como um objeto.”

5 — “Que viadagem!”
Termos como “machão”, “bichinha” ou “mulherzinha” não deveriam ser usados para pontuar uma atitude. Achar que homens só podem usar azul e mulher só cor-de-rosa limitam os comportamentos de todos. Existem LGBTs sensíveis? Claro. Assim como héteros.

6 — “Ser gay, tudo bem. Mas não dê em cima de mim!”
Neste caso, existe ainda uma autoestima elevada demais, por presumir ser irresistível para qualquer orientação sexual ou identidade de gênero. “Já ouvi essa frase algumas vezes. E fui bem direito com meu interlocutor: ‘Mas você não me parece nem interessante pra outras mulheres, muito menos pra mim, não precisa se sentir tanto, não vou mesmo te agarrar!’”, lembra Viana.

7 — “Mas precisa ficar se exibindo assim?”
Viu um casal homoafetivo se beijando? Entenda que é um direito dele, assim como do casal hétero. “Se uma mulher sentar no colo de outra, para muita gente, ainda é absurdo. Mas se uma mulher senta no colo do namorado, é visto de forma natural”, lembra Douglas Drumond.

Mudança de hábito
Ninguém é obrigado a saber de tudo. Na dúvida, cabe o respeito pelo outro. Errou, ofendeu sem querer? Peça desculpas. “Chamou uma travesti de ele, mas deveria ter chamado de ela? Corrija. A gente evolui quando interage com o outro”, fala Viana.

fonte Pragmatismo Político