22 de abr de 2018

Mulher é embalsamada viva por engano e morre durante cirurgia

Ekaterina Fedyaeva morreu após erro médico
Embalsamada viva, jovem de 28 anos morre durante procedimento cirúrgico que, em teoria, seria considerado de baixo risco. Familiares descreveram a vítima como sendo uma jovem "doce" e "carinhosa" que morreu cedo demais. Caso ocorreu na Rússia

Uma mulher de 28 anos morreu na Rússia na última semana durante um procedimento cirúrgico que, em teoria, deveria ser considerado de baixo risco. A vítima foi embalsamada viva por engano.

Ekaterina Fedyaeva recebeu formol durante a cirurgia para remoção de cisto nos ovários ao invés de uma solução salina. O formol é usado normalmente para preservar cadáveres.

O caso aconteceu em um hospital em Ulyanovsk, cidade no oeste da Rússia. As informações são da agência Tass e da emissora RT.

A sogra de Fedyaeva, Valentina Fedyaeva, disse à RT que após a operação, a moça reclamou que sentia que estava morrendo. A partir daí seus órgãos começaram a falhar e teve de ser mantida conectada a aparelhos para sobreviver.

Os médicos tentaram limpar a cavidade estomacal de Ekaterina após administrarem o formol, mas já era tarde demais.

Segundo o jornal “Washington Post”, familiares e amigos descreveram Fedyaeva como sendo uma jovem “doce” e “carinhosa” que morreu cedo demais.

A cirurgia desastrosa ganhou atenção internacional e foi noticiada em diversos veículos. Rashid Abdullov, ministro da Saúde, Família e Bem-estar Social da região de Ulyanovsk, classificou o caso como “uma tragédia terrível”.

“Minhas profundas condolências à família de Ekaterina Fedyaeva”, escreveu Abdullov no Twitter na semana passada. “Esta é uma tragédia terrível. Nós forneceremos toda a ajuda necessária para a família. Os responsáveis pela tragédia já foram responsabilizados e as agências investigativas continuam trabalhando.”

Ainda não está claro exatamente como o erro aconteceu, mas segundo Abdullov os médicos esqueceram de ler o rótulo da embalagem da substância química antes de administrá-la durante a operação.

As autoridades de Ulyanovsk abriram uma investigação criminal sobre o caso e, por ordem do governo, o médico-chefe do hospital em Ulyanovsk, assim como outros médicos envolvidos na operação, foram demitidos, segundo a imprensa local. Se forem acusados criminalmente e condenados, eles podem ser presos.

fonte Pragmatismo Político

Boulos fez o que o Lula não fez




21 de abr de 2018

MST ocupa fazenda improdutiva em Rio das Ostras (RJ)

Na madrugada deste sábado (21), cerca de 200 familias do MST
ocuparam a fazenda
Rancho Sagitário, em Rio das Ostras (RJ) / Pablo Vergara
A fazenda ocupada se situa no entorno da Reserva Biológica União que está sendo degradada pelo atual proprietário

por Mariana Pitasse no Brasil de Fato 

Na madrugada deste sábado (21), cerca de 200 famílias que compõem o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a fazenda Rancho Sagitário, no município de Rio das Ostras, no interior do Rio de Janeiro.  A ação faz parte da histórica Jornada de Lutas que relembra a impunidade do massacre de Eldorado dos Carajás, que aconteceu em 1996, no Pará, quando 21 sem terras foram assassinados pela Polícia Militar. Além disso, integra os protestos pela democracia e a liberdade do ex-presidente Lula.  

“Essa ocupação faz parte das ações de luta do Abril Vermelho, em memória de Eldorado dos Carajás. Esse ano também estamos relembrando os dois anos de golpe, a prisão a arbitrária de Lula, portanto, é uma ação que visa a retomada da democracia no Brasil, que foi violentamente atacada com o golpe, a intervenção militar e a assassinato da vereadora Marielle Franco”, explica Luana Carvalho, da coordenação nacional do MST.

A fazenda ocupada se situa no entorno da Reserva Biológica União. A área, que possui uma grande biodiversidade, está sendo degradada pelo atual proprietário Renato Barbosa Salgado, segundo informações apuradas pelo MST. Por ter despejado dejetos no leito do rio que chegaram a atingir a reserva biológica, o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública contra o proprietário em 2007.

Reforma agrária
As famílias que constroem a ocupação são das periferias de Rio das Ostras e Macaé. Elas exigem que as terras improdutivas da fazenda Rancho Sagitário sejam destinadas à reforma agrária. Após o golpe de estado instaurado no país em 2016, a reforma agrária passa por período de desmonte. No último ano, nenhum assentamento foi realizado no Brasil. Essa realidade se ampliou com a aprovação da lei 13.465/17, conhecida como lei da antirreforma agrária, como lembra Luana.

“Essa lei incentiva a grilagem, a mercantilização dos nossos patrimônios naturais, incluindo a possibilidade de venda para grupos estrangeiros.  Isso aponta para aumento da concentração de terra e, portanto, acirramento dos conflitos no campo. O último ano foi marcado por um número expressivo de assassinatos de lideranças e retorno das práticas dos massacres que haviam sido reduzidos com políticas de reforma agrária”, explica. 

Além disso, os municípios de Rio das Ostras e Macaé estão localizados em uma região economicamente atrelada à indústria do petróleo, que sofre com um cenário de demissões generalizadas, o que torna mais grave a situação de pobreza e miséria nas suas periferias. A ocupação também se constrói em resposta a essa realidade e a enorme concentração de terras improdutivas da região nas mãos de poucos.

“O desemprego e a precarização impõem a degradação dos trabalhadores na área urbana o que gera uma urgência ainda maior por uma reforma agrária popular na região. Por isso estamos aqui organizados e em luta”, conclui. 

Embargo à exportação de frango pode causar a demissão de 40 mil trabalhadores

União Europeia embargou exportação por suposta contaminação de Salmonella; na terça (24), Contac-CUT reúne, no RS, federações do setor para evitar demissão em massa e enormes prejuízos para o Brasil

por: Rosely Rocha Portal CUT

Para traçar estratégias de combate ao desmonte da produção nacional provocada pela desastrosa administração do atual governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP), a Contac-CUT vai reunir, na próxima terça-feira (24), em Porto Alegre, na sede da entidade, todas as federações do setor no país e a União Internacional dos Trabalhadores na Alimentação.

Na quinta-feira (19), a União Europeia (UE) proibiu 20 frigoríficos brasileiros de exportar carne de frango, sendo 12 da BRF das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O embargo por suposta contaminação de salmonella, que começa em 15 dias, pode deixar 40 mil trabalhadores e trabalhadoras do setor desempregados. Os frigoríficos estão lotados de frango e o mercado interno não absorve toda a produção.

Após o anúncio da medida da UE, a BRF anunciou férias coletivas de dois mil funcionários da unidade de Toledo (PR). Devem entrar em férias coletivas também os trabalhadores e trabalhadoras dos frigoríficos de Capinzal (SC), Rio Verde (GO) e Carambeí (PR). Dona das marcas Sadia e Perdigão, a BRF é também a maior exportadora de carne de frango do mundo, com vendas em cerca de 150 países – são 50 fábricas em oito países e cerca de 100 mil trabalhadores.

Para Siderlei Silva Oliveira, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação da CUT (Contac/CUT), a decisão da UE é resultado das medidas desastrosas tomadas pelo latifundiário e ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP-RS), desde o início do ano passado.

O dirigente se refere à ação da Polícia Federal, que, em março de 2017, colocou nas ruas a Operação Carne Fraca, envolvendo 1.100 homens, na maior operação da história para vistoriar apenas 21 dos 4.800 estabelecimentos que processam carne no país.   

A operação midiática misturou corrupção com problemas sanitários e o ministro se apressou em dar uma resposta, suspendendo as exportações de 21 frigoríficos, sendo três interditados: o frigorífico de aves da BRF, em Mineiros (GO), e dois frigoríficos do Peccin, em Jaraguá do Sul (SC) e Curitiba (PR).

Depois, teve ainda a Operação Trapaça, desdobramento da Carne Fraca, com a BRF como principal alvo, com a desculpa de investigar suspeitas de que laboratórios fraudavam resultados de exames para detectar a presença da bactéria salmonella nos produtos.

Na ocasião, lembra Siderlei, assim como ocorre em todas as áreas, a gestão do golpista Temer resolveu fazer uma ‘gambiarra’ e, ao invés de apresentar estudos e provas da qualidade da carne brasileira, fez um corte para, aparentemente, demonstrar a seriedade com que o país trata a exportação do alimento.

O tamanho do prejuízo se sente agora e as consequências negativas, como a decisão desta semana da UE, continuam prejudicando o país e a classe trabalhadora, diz Siderlei, que está discutindo estratégias para defender os trabalhadores e as trabalhadoras.

“Além da reunião na próxima terça-feira, iremos nos reunir também com sindicalistas europeus para denunciar os prejuízos que a lambança dos golpistas e da própria atuação da PF estão causando aos trabalhadores brasileiros”, diz.

“Estamos falando de 40 mil chefes de família que podem perder o emprego se os desmandos desse ministro despreparado continuarem”.

Siderlei explica, ainda, que o embargo afetará também os produtores de aves, já que não poderão fazer o abate, gerando uma crise financeira sem precedentes no setor.

“Está impedindo a exportação de 36% da carne de frango brasileira”.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, também acredita que a decisão da UE vai gerar demissões no setor. "Vai haver uma adequação das empresas que não vão produzir se não tiverem mercado", diz.

Ele ressalta que o frango não oferece riscos à saúde e os brasileiros podem comprá-lo sem preocupação. "O frango é a carne mais consumida no Brasil e a mais barata. Não há nenhum risco nesse caso, trata-se de um problema comercial".

Segundo Santin, as salmonellas presentes na carne "são aquelas que morrem com cozimento, em temperatura acima de 70° graus. A água ferve a 100° graus, ou seja, qualquer processo de cozimento já inativa a bactéria. Ela [a bactéria] está presente em todo o mundo".

Estados mais atingidos

O estado do Paraná, com oito unidades proibidas de exportar, é mais atingido pelo embargo da carne brasileira. Em seguida está Santa Catarina, com três; e Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Goiás com duas unidades afetadas cada. São Paulo teve um frigorífico vetado.

Lista das unidades proibidas de exportar para a UE:

- BRF S.A.

- Ponta Grossa (Paraná)

- Concórdia (Santa Catarina)

- Dourados (Mato Grosso do Sul)

- Serafina Correa (Rio Grande do Sul)

- Chapecó (Santa Catarina)

- Capinzal (Santa Catarina)

- Rio Verde (Goiás)

- Marau (Rio Grande do Sul)

- Toledo (Paraná)

- Várzea Grande (Mato Grosso)

- Francisco Beltrão (Paraná) - unidade da SHB, subsidiária da BRF

- Nova Matum (Mato Grosso) - unidade da SHB

- Copacol - Cooperativa Agroindustrial Consolata

- Unidade de Cafelândia (Paraná)

- Copagril - Cooperativa Agroindustrial

- Marechal Cândido Rondon (Paraná)

- Zanchetta Alimentos Ltda

- Boituva (São Paulo)

- São Salvador Alimentos S/A

- Itaberaí (Goiás)

- Bello Alimentos Ltda

- Itaquirai (Mato Grosso do Sul)

- Coopavel - Cooperativa Agroindustrial

- Cascavel (Paraná)

- Avenorte Avicola Cianorte Ltda

- Cianorte (Paraná)

- LAR Cooperativa Agroindustrial

- Matelândia (Paraná)

20 de abr de 2018

A pastora evangélica preta e feminista que defende a liberdade de Lula

"Deus se revela onde as pessoas estão sofrendo pela opressão
do outro", disse a pastora
Foto  Joka Madruga/Agência PT
Cleusa Caldeira foi uma das lideranças do ato inter-religioso na vigília pela liberdade do ex-presidente em Curitiba

por Rute Pina no Brasil de Fato 

"Eu sou uma das primeiras pastoras mulheres da igreja e eu acho que a única na instituição que tem consciência de negritude", afirma Cleusa Caldeira, de 42 anos. Ela é pastora da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil em Curitiba e tem acompanhado as manifestações de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao lado de religiosos de outras denominações, do catolicismo ao candomblé, ela participou de um ato inter-religioso durante a vigília permanente pela liberdade do ex-presidente, que ocorre na capital paranaense desde o dia 7 de abril.

Cleusa nasceu no interior do Paraná e teve contato com a experiência religiosa quando se mudou para Curitiba, ainda adolescente. Ela decidiu estudar teologia em Londrina, pois tinha vontade de se tornar pastora.

Já à frente da igreja, foi o contato com a teologia negra e feminista que despertou a consciência de que ela era uma mulher negra. "Fazendo parte de uma igreja da tradição protestante, em geral, não há negros nas igrejas mais históricas; e, quando há, são poucos os negros que têm consciência de sua negritude."

Esse embate entre uma teologia eurocêntrica e o reconhecimento pessoal de sua negritude levaram a pastora à academia. Ela fez mestrado em teologia na Pontifícia Universidade do Paraná e completou o doutorado na Faculdade Jesuíta em Belo Horizonte.

A pastora se contrapõe a todas as pautas da bancada evangélica, que possui 193 parlamentares na Congresso Nacional. Ela defende, por exemplo, que o aborto é uma questão de saúde pública que está muito relacionada à vida de mulheres negras e pobres.

"A bancada evangélica e outros pastores criam narrativas como se eles fossem os donos da verdade. Eles manipulam Deus em prol de si mesmo. E aqui nós estamos dizendo: Deus está onde o povo está. Deus se revela onde as pessoas estão sofrendo pela opressão do outro", afirma.

Caldeira relata que seus posicionamentos são bem recebidos pela comunidade religiosa que frequenta. "É uma coisa nova, uma pessoa se declarar negra e feminista, mas eu também não sou a única. Há no país um movimento grande de pastoras", pondera.

Para ela, as religiões também tiveram papel central na criminalização dos movimentos populares e de partidos de esquerda, como o Partido dos Trabalhadores (PT).

"Esse nível de violência que chegou em relação ao PT foi antes legitimado por um discurso religioso. E isso vem acontecendo desde a história da fundação das Américas. Se demoniza um inimigo, para legitimar o aniquilamento deste inimigo", declarou.

No dia seguinte à prisão de Lula, no dia 8 de abril, o arcebispo de São Paulo, o cardeal Dom Odilo Scherer, repreendeu a participação de Dom Angélico na missa em homenagem a ex-primeira dama Marisa Letícia, em São Bernardo do Campo (SP). Scherer lamentou o que ele chamou de "instrumentalização política" do ato religioso.

A pastora evangélica refuta a ideia de que política e religião não se discutem. "A gente vive em um Estado laico, mas nós estamos vendo que a religião está ditando para onde o Estado deve caminhar", afirma ela. "Quando se legitima uma bancada politicamente que ela se posiciona religiosamente, em pautas políticas, então temos que discutir religião também".

Segundo Caldeira, estar presente nos atos é uma questão de reparação histórica: "A América Latina e o Brasil foram estruturados na exclusão de povos originários e indígenas que já estavam aqui e, também, a escravização da população negra. Por muitos anos, os religiosos não estavam do lado deles. Não nos defenderam".

E é por este motivo que ela reitera a sua posição: "Eu me declaro mulher negra e feminista para dizer que não é uma cristã falando por nós. Eu falo, porque eu estou, de fato, enraizada deste lado da história. Eu faço parte disso aqui", finaliza.