25 de mar de 2017

Texto de Engels, (1845), sobre a alimentação do povo inglês na época

"Aos trabalhadores resta o que repugna à classe proprietária. (...)

Em geral, as batatas que adquire são de má qualidade, os legumes estão murchos, o queijo envelhecido é mau, o toucinho é rançoso e a carne é ressequida, magra, muitas vezes de animais doentes e até mesmo já em decomposição. (...) A carne vendida aos operários é intragável; porém, uma vez comprada, é consumida. (...) Vende-se manteiga salgada como manteiga fresca, cobrindo-a com uma camada de manteiga fresca ou colocando uma libra de manteiga fresca para ser provada e, depois da prova, vendendo manteiga salgada ou, ainda, retirando o sal pela lavagem e apresentando-a como fresca. Ao açúcar, mistura-se farinha de arroz ou outros gêneros baratos, assim vendidos a preços altos; até mesmo resíduos de sabão são misturados a outras substâncias e vendidos no açúcar. Mistura-se chicória ou outros produtos de baixo preço ao café moído; ao café não moído, dando-se-lhes forma de grão, também se misturam outros artigos. Também é frequente misturar-se ao cacau uma finíssima camada de terra escura que, banhada em gordura de carneiro, deixa-se mesclar facilmente ao cacau verdadeiro. O chá vem misturado com folhas de ameixeira e outros vegetais, ou então folhas de chá já servidas são recuperadas, tostadas em alta temperatura sobre placas de cobre para que retornem a cor e vendidas em seguida. A pimenta é adulterada com cascas de nozes moídas etc. (...) E eu poderia citar mais uma dúzia delas - entre outras, a prática infame de misturar gesso ou argila à farinha" 

(Friedrich Engels, "A situação da classe trabalhadora na Inglaterra").

Não é "carne fraca", é o capitalismo."

Em Ceilândia, professores realizam protesto contra Rollemberg

Comandos Regionais de Greve de todo o Distrito Federal marcaram presença e realizaram um ato de protesto durante as festividades dos 46 anos de Ceilândia, neste sábado (25). A atividade foi uma resposta às declarações debochadas do governador Rollemberg – presente no local -, dizendo não ter conhecimento da greve dos professores.

Por André Barreto
em Sinprodf.org.br

Centenas de professores/as e orientadores/as educacionais montaram o “bloco do piquete” e fizeram um desfile alternativo como forma de protesto.

De acordo com o diretor de Organização e Informática do Sinpro, Júlio Barros, das cerca de 100 escola de Ceilândia, apenas três participaram do desfile oficial organizado pelo governo. “Uma quarta escola desistiu de desfilar na hora, caracterizando o boicote ao circo montado pelo GDF”, disse. O dirigente destacou a aceitação da manifestação por parte da comunidade ceilandense.

O ato foi pacífico, mas houve momentos de tensão quando a Polícia Militar utilizou gás de pimenta para dispersar os manifestantes. Uma professora foi agredida fisicamente por seguranças da Administração Regional. O governador Rollemberg deixou o aniversário de Ceilândia para trás e saiu escoltado.

Júlio Barros lembrou o respeito que a categoria docente tem pela história e pela luta do povo de Ceilândia. “O mais bacana é que a comunidade correspondeu, reconhecendo a nossa luta. O pessoal daqui também está muito cansado com o descaso do GDF com a Educação, com a Saúde. Enfim, hoje foi – para todos – um dia de luta e não de festa, como queria Rollemberg”.

A atividade terminou na Feira Central de Ceilândia com uma grande panfletagem sobre a contrarreforma da Previdência. “Ceilândia é o maior colégio eleitoral do DF e é fundamental alertar e esclarecer as pessoas sobre o que é essa nefasta reforma da Previdência, em tramitação na Câmara dos Deputados. Por isso mesmo, orientamos que a população cobre dos parlamentares do DF um posicionamento contrário à reforma”, observou Júlio.

A categoria quer que o GDF apresente uma proposta decente às reivindicações e que, fundamentalmente, cumpra as leis – como a Meta 17 do Plano Distrital de Educação (Lei nº 5.499/2015), a Lei do Plano de Carreira (Lei nº 5.105/2013), a Lei Complementar nº 840/2011 no que diz respeito ao pagamento das pecúnias da licença-prêmio dos professores aposentados. Isso sem falar no reajuste anual do auxílio-alimentação.

Na segunda-feira (27), a categoria se reúne em assembleias regionais, às 9h. No dia seguinte, professores/as e orientadores/as educacionais decidem os rumos do movimento grevista em assembleia geral.

Liliane Roriz é condenada a pagar indenização ao PRTB

DEPUTADA DISTRITAL É CONDENADA A PAGAR MULTA POR DESFILIAÇÃO NO CURSO DO MANDATO
O juiz da 17ª Vara Cível de Brasília condenou a ex-deputada distrital Liliane Maria Roriz a pagar R$ 317.580,49 ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro - PRTB por desfiliação no curso do seu mandato. Segundo o magistrado, a multa está prevista no artigo 85 inciso X do Estatuto Partidário.

Citada do pedido ajuizado pelo PRTB, Liliane Roriz sustentou na contestação que desconhecia a existência de multa para o caso, pois no ato de sua filiação não houve leitura de qualquer estatuto, manifesto ou resolução interna. Informou que fez acordo nos autos do processo 2015.01.1.092939-0, perante o Juízo da 16ª Vara Cível, no qual todas as obrigações com o partido foram extintas. Por fim, justificou a desfiliação com base na Emenda Constitucional n. 91/2016, por discordar das cobranças e indicações de cargos supostamente impostas pelo autor.

Na sentença, o magistrado rechaçou as justificativas elencadas pela deputada. “A alegação de desconhecimento do regramento estatutário encontra-se despida de qualquer alicerce fático-probatório, por inexistir indicativos de vícios de vontade. Quanto ao acordo firmado perante o Juízo da 16ª Vara Cível, seu objeto limitou-se à cobrança dos valores referentes à contribuição de 10% sobre os rendimentos da requerida/embargante. No que tange às indicações de cargos supostamente impostas pelo autor, inexistem nos autos elementos aptos a demonstrar a sua discordância ou insatisfação com tais indicações no momento em que foram apresentadas, de modo a inviabilizar a alegação de justa causa da desfiliação”, concluiu o magistrado.

Ainda cabe recurso da decisão de 1ª Instância. 


do TJDFT

Café com as Mulheres

Café com as Mulheres
Especiais 8 de Março
Por Marcelo Pires

“Vivendo numa sociedade fundamentalmente anti-intelectual e difícil para os intelectuais comprometidos e preocupados com mudanças sociais radicais, é preciso afirmar sempre que o trabalho que fazemos tem impacto significativo nos círculos políticos progressistas, nos quais o trabalho dos intelectuais raramente é reconhecido como uma forma de ativismo. Na verdade, expressões mais visíveis de ativismo concreto (como fazer piquetes nas ruas ou viajar para um país do Terceiro Mundo e outros atos de contestação e resistência) são consideradas mais importantes para a luta revolucionária que o trabalho mental. E é essa desvalorização do trabalho intelectual que muitas vezes torna difícil para indivíduos que vêm de grupos marginalizados considerarem importante o trabalho intelectual, isto é, vê-lo como uma atividade politicamente útil.”

 (Bell Hooks, Intelectuais Negras)

Renato Rabelo: Partido Comunista do Brasil – 95 anos

do Blog do Renato

Neste 25 de março de 2017 o Partido Comunista do Brasil completa 95 anos de vida ininterrupta, no mesmo ano em que se comemora o centenário da vitória da Grande Revolução Socialista na Rússia. O PC do Brasil é filho e herdeiro de toda a história desse magno empreendimento revolucionário dos trabalhadores e do povo russo no século passado. O Partido é um legado da Revolução Soviética, que influenciou o feito histórico de inserir pela primeira vez a luta política no âmbito do jovem movimento operário no Brasil.

Em todo transcurso da sua longa existência o Partido Comunista do Brasil teve sua marca indelével na luta pela soberania da Nação, na luta pela causa democrática e o progresso social, sendo essas lutas a síntese de sua experiência e dos seus programas.

Hoje, O PCdoB é mais imprescindível. É maior a exigência por uma alternativa avançada viável diante de um golpe de Estado parlamentar com protagonismo judicial, embalado pelo oligopólio midiático, que reverteu o curso progressista no Brasil e vem implantando uma ordem conservadora e retrógrada.

Este fato faz espocar uma grande crise, com ausência de rumo estratégico a Nação se desestabiliza, os poderes de Estado se desalinham. Prevalece uma fachada de Estado de direito com acentuado e crescente conteúdo de exceção. As bases iniciais da economia nacional e das redes sociais de apoio duramente conquistadas vêm sendo fulminantemente desmontadas.

O PCdoB é uma força que neste momento contribui na imprescindível empreitada de reunir amplas forças sociais e políticas para superar a crise, resgatar a soberania popular, restaurar o Estado democrático de direito e abrir caminho para retomar o projeto nacional de desenvolvimento.

Na passagem em que se comemora os 95 anos do Partido Comunista do Brasil é inevitável a reflexão da seguinte questão: porque o PC do Brasil viveu e vive até hoje, se renovando e se atualizando? Resulta essa persistência histórica da simples vontade dos comunistas? Dos incontáveis caminhantes tomados pela causa comunista que consagraram heroicamente suas vidas por estes nobres ideais? Da grande aspiração civilizacional de uma sociedade sem exploradores e explorados? Sim tudo isso é verdadeiro. No entanto, conquanto mais que fosse tudo isso, não seria o suficiente para varar séculos – desde o lançamento do Manifesto do Partido Comunista por Marx e Engels em 1848 – a existência organizada e proclamada em partidos de luta pelo socialismo, transição histórica para a sociedade comunista, em todos os quadrantes do globo, como o Partido Comunista do Brasil em nossas plagas.

Essa universalidade e perenidade emanam de uma exigência concreta, de uma base objetiva que se reflete em uma tendência histórica no sentido de prevalecer – à custa de um tempo maior ou menor, de avanços e recuos, de sombras e luzes – a formação política, econômica e social mais avançada, suplantando a velha sociedade. Isso pode ser postergado, mas a sua inevitabilidade se traduz por leis objetivas. É no famoso prólogo de Marx da Contribuição à critica da economia política, que se pode compreender essa evolução objetiva dialética da história: “Nenhuma formação social desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que nela caibam, nem jamais aparecem novas e mais altas relações de produção antes que as condições materiais para sua existência tenham amadurecido no seio da sociedade anterior”.

A realidade é que o século passado é marcado pelo nascimento do socialismo. Deram-se os primeiros passos. Sobretudo considerando a primeira experiência da União Soviética, realizada em condições históricas excepcionais, que diferiam muitíssimo das previstas no século 19 pelos fundadores do marxismo. As experiências socialistas de antes e de hoje têm sido realizadas em condições históricas nas quais prevalece o domínio dos monopólios financeiros e produtivos capitalistas em âmbito global.

Na atualidade se desenvolvem alternativas próprias como nos casos, por exemplo, da China, Vietnã, Cuba, que conseguem superar os impasses e dar materialidade ao socialismo na atual quadra histórica, alcançando altos índices de desenvolvimento das forças produtivas – condição essencial para construir a base material para construção do socialismo – se distanciando do “modelo soviético”, próprio de um período excepcional, abrindo caminho na transição socialista atual – etapa primária — incorporando formas contemporâneas.

Por outro lado, a atualidade do sistema capitalista se caracteriza por sua grande crise estrutural que irrompeu desde 2008 e ainda persistente. Para “sair” da crise global a realidade expõe um sistema que busca concentrar mais o capital, em uma “guerra de capitais”, gerando mais profunda desigualdade social e exclusão de grandes massas da população, e profundas assimetrias regionais no nível de desenvolvimento. O modo de produção capitalista, suas relações de produção e seu princípio distribuidor da riqueza são cada vez mais impotentes para transformar a imensa capacidade produtiva gerada pelo colossal desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação em proveito dos povos e nações e do avanço civilizacional.

Esses vários fatores objetivos – as contradições intrínsecas do capitalismo — e subjetivos – o anseio natural pelo avanço civilizacional — dão perenidade à luta pelo socialismo e aos partidos comunistas seus portadores, forjando a classe trabalhadora e conquistando aliados, descortinando na cena da história contemporânea lances que vão plasmando uma nova luta pelo socialismo.

Portanto, essa é a força combinada, material e espiritual, que imprime à tendência transformadora o rumo de uma sociedade superior ao capitalismo – o socialismo, exigência da história, sendo ele uma transição prolongada do capitalismo ao comunismo. Dessa suma decorre a persistência histórica, no caso brasileiro, da extensa e continuada existência do Partido Comunista do Brasil.

O capitalismo pode ser superado!